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FRIMOR,
Os desafios do Presente A mais emblemática feira do concelho, pela sua longa história de mais de dois séculos, pela sua importância sócio-cultural em tempos não muito recuados e de significativo isolamento, mas sobretudo pelas dinâmicas que produziu e pelo desenvolvimento económico que sustentou, está hoje numa encruzilhada. Tem, por isso, um grande desafio pela frente: manter viva a tradição e, simultaneamente, realizar a imprescindível modernização. Quem tem presente, ainda que levemente, a última meia dúzia de edições sabe que falamos de um evento parado no tempo, sem fôlego, que repete processos e modelos, com um horizonte limitado. Desenganem-se, contudo, os que entendem ser fácil mudar o rumo, imprimir-lhe alma nova, mesmo que por adição de uns quantos modernismos. O respeito à tradição, razão primeira em nosso entender para continuar, obriga à permanência e reforço das singularidades que fizeram a feira de setembro e lhe deram a continuidade de que hoje se pode orgulhar e que importa salientar. O timing da feira é indiscutivelmente o mais apropriado para a comercialização do seu produto genuíno, mas não pode também ser aproveitado para lançamento de outros produtos agrícolas, florestais, agro-industriais, que o concelho e a região produzem ? Vemos todos os anos surgirem novas feiras e mercados, de nível nacional e internacional, com propostas arrojadas, produtos e ideias inovadoras, acompanhadas de importantes pacotes de marketing que tudo vendem e fazem sonhar. É certo que o campo agrícola é menos dinâmico, mais rotineiro, menos susceptível à mudança, mas não nos podemos conformar com os hábitos e vícios do passado, tanto mais que outras comunidades por essa Europa fora souberam, com mestria, realizar a mudança. Mas a mudança de que falo não é apenas a mudança de rumo de quem está ao leme. A mudança tem que ser geral, de todos, a começar pelos interessados. Por agora ainda basta oferecer cebolas ao quilo, amanhã já tenho dúvidas porque as grandes superfícies vão, mais tarde ou mais cedo, pegar no negócio. Por isso, é preciso que os produtores que vêm a Rio Maior tenham presente que sendo 'pequenos produtores' e querendo conservar nas suas mãos o que há gerações lhes é devido, não podem dispensar a complementaridade, própria ou de terceiros, que enriquecerá a oferta. Impõe-se,
portanto, a diversificação sendo certo que é ao
mundo agrícola que deve competir, em primeira instância,
a definição dos caminhos a tomar. Importa, por isso, sentar
à mesa ou à volta da lareira, todos os agentes e fazê-los
participar nas decisões, quer dizer, comprometendo-os nos caminhos
do futuro. A produtividade e competitividade de que tanto se fala tem, no campo agrícola, raízes bem mais profundas. É na atitude mental que se jogam todas as oportunidades, mas essas têm suporte não apenas no saber da experiência feita, mas sobretudo da ciência estudada e aplicada. Não me posicionando, neste escrito, como grande defensor das ideias fisiocratas, para quem a terra era o valor supremo e gerador de todos os desenvolvimentos, por oposição aos adeptos da industrialização porque mais riqueza produz e mais qualifica, devo contudo salientar a importância que ambas as actividades económicas têm no tecido empresarial do concelho e reafirmar a necessidade de partilharem projectos comuns, aproveitando sinergias e, porque não, emprestar modernidade à tradição de Setembro. Uma palavra, por último, às Associações que, enquanto entidades depositárias de saberes e promotoras de dinâmicas, não podem ficar à margem. Pelo contrário, têm que fazer interessar e criar a necessidade de, em conjunto, se pensar nas futuras edições da FRIMOR. Augusto Lopes |
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