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| Diário
de Nóticias 9 Abril 2002 Alenquer:
Ecologistas contra aeroporto na Ota A eventual anulação da construção do aeroporto da Ota, pelo novo Governo, conta com o apoio da Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer [Alambi], que realça a importância ecológica do local escolhido para implantação da nova pista internacional. As conjunturas internacionais e a situação económica decorrente foram, na perspectiva da organização ecologista alenquerense, "decisivas para o derrube dos frágeis alicerces que fundamentaram a decisão de avançar para a construção de um super-aeroporto de 30 milhões de passageiros". O presidente da Alambi, José Carlos Morais, recorda que, "por altura da decisão pela localização do novo aeroporto na Ota, as associações de ambiente invocaram a falta de justificação clara e fundamentada para a construção de uma infra-estrutura que segundo Estudo Preliminar de Impacte Ambiental [EPIA] realizado, acarretaria impactes ambientais muito significativos ao nível da geomorfologia, paisagem, ecologia, qualidade do ar, ruído e planeamento e uso do solo". E sublinha que "a própria Comissão de Avaliação designada pelo Governo para a análise do EPIA apelou à imediata elaboração de estudos complementares necessários e que poderiam colocar em causa a viabilidade do projecto". Contudo, "esses estudos, que incluíam a monitorização da qualidade do ar, das rotas de migração de aves, da adesão das comunidades locais, avaliação do risco e a articulação do ruído/planeamento e uso do solo, parece terem sido esquecidos, perante o foguetório de repetidos anúncios de construção da obra", sustenta o dirigente ambientalista. O que parece claro, no entender de José Carlos Morais, "é a importância ecológica do local escolhido para a construção do aeroporto, devido à especificidade e raridade do meio aquático em zonas calcárias e litogias siliciosas, constituindo o paul e a charneca de Ota uma zona húmida de enorme riqueza em fauna e flora". De resto, "o recentemente aprovado Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa [PROTAML] classifica aquela zona como Área Nuclear para a Conservação da Natureza e Corredor Ecológico Secundário", adianta. Por todas estas razões, "sobretudo porque a real necessidade da sua construção nunca ficou cabalmente demonstrada", a possível anulação da decisão de construção do aeroporto da Ota é, para o presidente da Alambi, "uma questão de bom senso". Bom senso que "deve imperar sobre mitos de interesses regionaleiros, que transformaram o "Aeroporto da Ota" numa espécie de "Alqueva do Oeste"", sustenta José Carlos Morais. |
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