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Expresso de 9 Janeiro de 1999
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Eternamente em obras, o aeroporto da Portela ainda estará, no ano 2000, a sofrer remodelações, apesar de a desactivação ser o seu futuro mais provável. O aparente desperdício das sucessivas adaptações não é mais do que a face visível do esforço para permitir que possa ser utilizado por dez milhões de passageiros por ano, o tráfego previsível para os primeiros cinco a seis anos do próximo milénio. Nessa altura, já Lisboa poderá ter a segunda aerogare pronta a funcionar, seja na Ota seja em Rio Frio, as duas localizações mais prováveis. Na Primavera deverá conhecer-se a opção do Governo.
 

Novo aeroporto será na Ota?

PASSARAM 30 anos desde que começaram as interrogações sobre o futuro do aeroporto da Portela. Em 1969 já havia quem se preocupasse sobre onde fazer uma nova aerogare quando a de Lisboa se revelasse demasiado pequena, mas tudo indica que só em Março ou Abril deste ano iremos, finalmente, ter uma primeira resposta: Ota? Rio Frio? Uma nova pista na Portela? Pelo caminho, pelo menos para já, terão ficado o Montijo, em que o anterior ministro das Obras Públicas, Ferreira do Amaral, chegou a pensar, e um aeroporto central, eventualmente em Pombal, defendido pelo professor José Manuel Viegas - uma proposta que contava com os super-rápidos comboios TGV e uma linha Lisboa-Porto com ligação à Europa a partir do centro do país. Em estudo já só estão três hipóteses. Uma delas, porém, parece cada vez mais condenada e já não se acredita que venha a reunir apoios no actual Governo: seria a de ampliar a Portela, transformando as duas pistas cruzadas em duas paralelas; com hipóteses, por enquanto intactas, estão a Ota e Rio Frio, afinal as duas opções de que mais se tem falado. De acordo com o calendário do ministro João Cravinho, na próxima Primavera saber-se-á onde ficará o futuro aeroporto. Guilhermino Rodrigues, secretário de Estado dos Transportes também acredita que a decisão está para breve.

Durante os próximos meses hão-de ficar concluídos os estudos sobre os diversos aspectos aeronáuticos, de construção e de acessos que pesam na decisão. Concluídas, ou quase, estão as avaliações sobre as incidências ambientais e as questões meteorológicas.


Ainda antes do final do mês, a ANA, EP vai cindir-se. De um lado ficará a NAV - EP, responsável pela navegação aérea, e do outro surgirá uma empresa privada que se dedicará à exploração dos aeroportos. Será mais um passo na longa caminhada iniciada há 30 anos.

Faltará, então, a decisão final. Política e delicada - particularmente difícil em ano de eleições. Nos últimos anos, tem bastado que um qualquer jornal refira que uma das opções está a ganhar terreno, para que logo os adeptos da hipótese preterida venham a terreiro defender que a sua região é a mais adequada. Aliás, mal João Cravinho fez algumas revelações sobre o processo - como seja a de que a Portela encerrará definitivamente com a abertura da nova aerogare, outro dos aspectos que estava por resolver - o "lobby" nortenho veio logo discordar de que se justifique uma tão grande obra em Lisboa.

Perante as mais que previsíveis ameaças de corte de estradas por parte dos vencidos, admite-se que as razões eleitorais venham a falar mais alto e abafem os argumentos sobre a necessidade de manter as datas anunciadas. Houve, aliás, públicas referências a ministros e dirigentes socialistas que gostariam de ver a decisão adiada para depois das eleições. Para mais, abandonar a Portela será comprar uma polémica com o presidente da Câmara de Lisboa sobre a titularidade e o valor dos terrenos agora ocupados pelas pistas. João Soares já disse que o município considera-se dono e senhor de solos no valor de 245 milhões de contos. Que quer de volta.

Mas mesmo que Cravinho e a sua equipa imponham a Primavera como altura adequada para desvendar o mistério da localização do futuro aeroporto, o processo fica longe de entrar numa fase irreversível. De acordo com o calendário previsto, 1999 e 2000 serão gastos a preparar e a lançar o concurso de concepção, construção e exploração de uma obra (por enquanto) orçada em 400 milhões de contos. Assim sendo, só lá para 2001 haverá qualquer adjudicação que torne o empreendimento dificilmente anulável, o que deixa campo aberto para o próximo Governo, se o quiser, fazer regressar tudo à estaca zero.

É que obras físicas nunca haverá antes de 2002, e a conclusão não será antes de 2006 ou 2007. Ou até talvez mais tarde, pois a data de inauguração será permanentemente reequacionada em função do crescimento do tráfego aéreo, de modo a garantir o máximo rendimento económico. Uma longa viagem, portanto, que talvez ainda nem tenha ultrapassado a perigosa fase de descolagem.

Texto de JOÃO GARCIA

 
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