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Público
nº 4422 de 28 Abril 2002
Entrevista - Local
Lisboa | País

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O presidente da Associação Empresarial de Portugal volta
a tocar a campainha do "crime económico" que será
a construção de um novo aeroporto na Ota. |
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"Não
Aceitamos o Crime Económico de Construir Aeroporto na Ota"
Por MÁRIO BARROS E JOANA AMORIM
Segunda-feira, 29 de Abril de 2002
Entrevista com Ludgero Marques
Ludgero Marques, presidente da Associação
Empresarial de Portugal, critica os autores da ideia de construir um novo
aeroporto na Ota, pois o de Lisboa pode ser optimizado. Na sua opinião,
o TGV é um luxo dispensável e o metropolitano ligeiro deve
chegar à Exponor e ao aeroporto portuense.
PÚBLICO - Como avalia a actual política aeroportuária?
LUDGERO MARQUES - O importante para o nosso país é
um projecto aeroportuário nacional, em que tenhamos a certeza de
utilizar correctamente os aeroportos de Faro, Lisboa e Porto. Os aeroportos
do Porto e de Faro não só ajudam a descongestionar e a aliviar
o aeroporto central, como também provocam desenvolvimento nas zonas
circundantes. Se os outros aeroportos estiverem distribuídos correctamente
e houver vontade política de os dotar com as valências necessárias
para ajudar à captação de clientes, então
esses aeroportos terão de ser valorizados.
Concretamente o aeroporto do Porto...
O aeroporto do Porto está completamente esgotado e a qualidade
de construção é muito duvidosa. Mas, se for bem construído,
tiver a qualidade suficiente e depois for apoiado no seu desenvolvimento,
não vai ficar com os seis milhões de passageiros, mas com
mais. É fundamental a sua qualidade e a sua dimensão para
que possa ser, definitivamente, o grande aeroporto do Noroeste peninsular,
cuja população é quase tão grande como a que
alimenta o de Lisboa. Isso impulsiona o desenvolvimento, ao captar outras
actividades.
Vieira de Carvalho defendeu, em Janeiro, que a administração
da ANA devia ser demitida após as eleições, argumentando
que nunca obteve respostas da empresa. Concorda?
Prefiro que se demitam os ministros, do que os administradores, porque
são eles quem manda. Os anteriores já foram embora e agora
é preciso que estes avaliem correctamente se as ordens superiores
estão em consonância com o trabalho desenvolvido. Os ministros
é que devem avaliar se os administradores estavam a ser bem orientados.
No meu entender não estavam. O professor Vieira de Carvalho tem
razões para se sentir preocupado.
O administrador da ANA dizia que a empresa só seria privatizada
após o lançamento do novo aeroporto de Lisboa que, como
se sabe, foi adiado...
Não, foi congelado. E muito bem. Estive no aeroporto de Lisboa
recentemente e aquilo é uma vergonha. Mesmo que aquele aeroporto
fique desactualizado dentro de dez anos, merece que sejam investidos lá,
por exemplo, 500 milhões de euros, para lhe dar dignidade. E toda
a gente sabe que aquele aeroporto tem capacidade para 25 ou 26 milhões
de passageiros.
Se quisessem arranjar um projecto de categoria, faziam uma aerogare em
Figo Maduro, sem perturbar nada este, e mudavam o que tinham a mudar.
Mas eles não querem nada, fazem isto de propósito. Neste
momento, em Lisboa, deve remodelar-se e modernizar o aeroporto. Não
aceitamos é que se queira fazer o crime económico de construir
o aeroporto na Ota daqui por não sei quantos anos e pegar neste
aeroporto, que ainda é bom, deitá-lo abaixo e fazer uma
zona residencial para os empreiteiros ganharem dinheiro. É preciso
que este país não continue a ser dominado pelos empreiteiros.
Não digo isto de forma depreciativa, porque eles fazem o trabalho
deles. É preciso é quem não os deixem fazer.
Governo pode pôr "país nos carris"
O novo Governo, e concretamente o ministro das Obras Públicas,
poderá dinamizar a política aeroportuária e o aeroporto
do Porto?
O professor Valente de Oliveira é uma pessoa de grande seriedade
e qualidade. Tem, de facto, um conhecimento enormíssimo do país
e de todas as realidades que nós precisamos de desenvolver. Estamos
a comparar duas coisas: um governo despesista, que foi o anterior, e que
não soube fazer projectos, que gastou e não fiscalizou,
com um Governo que agora é obrigado, mesmo que não o saiba
fazer, a conter e a desenvolver o país, gastando menos. Não
tem alternativa. Mas conheço muita gente no Governo com capacidade
para desenvolver o país. Este Governo tem uma tarefa muito difícil,
mas tem condições e julgo que vamos ter um país outra
vez nos carris.
A AEP continua a defender a gestão autónoma dos aeroportos
e a privatização da ANA?
A concorrência é óptima e gostava muito de concorrer
para mostrar que nós podemos ser melhores ou tão bons como
os outros. Por isso, sou apologista de uma gestão autónoma
dos aeroportos para provar que, de facto, este aeroporto tem capacidades
para explorar.
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