Rio Maior Cidade Viva

O Imóvel

A referência histórica mais antiga é-nos dada por F. Pereira de Sousa, [Pereira de Sousa, 1935], pág. 103 e 104: "Junto á igreja paroquial, lado Norte, existe uma casa, de aparencia menos que modesta, tendo tambem do lado Norte, uma minuscula capela, já profanada, onde mal caberia o padre, se ali oficiasse, e os membros da familia não muito numerosa que assistissem aos oficios. Pois esta casa tem a sua historia, pertenceu a Joaquim Maria, ferrenho miguelista , que hospedou ali D. Miguel, quando da guerra com D. Pedro IV, e aqui estacionou com as suas tropas. Finda a guerra, pela convenção de
Évora Monte, assinada em Maio de 1834, como que envergonhado, fugiu d'aqui, estando bastando tempo ausente, deixando suas propriedades entregues a caseiros; voltou mais tarde, mas nunca mais saiu de casa, como que envergonhado da derrota do seu rei.



Tem a casa algo de interessante, arquiologicamente; a sua maior sala, com teto apainelado, em forma de masseira, pintado a cores vivas, em que predomina o vermelho, tem, no centro, pintadas as armas nacionais; e nas paredes de todas as casas, pinturas sem interesse, que ainda se conservam por curiosidade de seus inquilinos. Pertencente hoje ao sr. João Ferreira da Maia, presidente da comissão administrativa do municipio, que lha deixou uma tal Clementina, herdeira da casa, que ali morou e morreu com a sua irmã e irmão, Francisco Candido, conhecido pela alcunha de "O Duque da Terceira"."

Desconhece-se quem terá sido o responsável pela concepção e execução do imóvel.

A entrada nobre do edifício encontra-se bem marcada, na fachada principal, assimétrica, através da frontaria da capela/oratório, a qual corresponde ao contraponto da varanda - galeria coberta. É neste corpo em que toda a decoração se concentra em estilo plenamente rócócó.

Aqui sobressaem duas pilastras coroadas por pináculos com dois fogaréus, um frontão curvo encimado por uma cruz trifólia, enquadrando um vão de janela de sacada com guarnições emolduradas e entablamento decorado rematado na parte superior por uma concha.

O edifício possui características de casa rural, onde as escadas se projectam para o exterior em virtude da existência de ruas junto á construção, possui uma varanda com guarda em ferro forjado e cantaria trabalhada na sala nobre e colunata no alpendre. Estes elementos conferem um aparato exterior ao imóvel como sinal de abastança e urbanidade.

O beiral é saliente e duplo, ficando dúvidas se este corresponderá ás alterações promovidas em 1760.

As janelas no seu interior, com excepção da capela / oratório e sala a tardoz, foram dotadas de conversadeiras, [vulgo namoradeiras].
Os tectos afirmam-se como unidades bem demarcadas surgindo como elementos individualizantes de cada compartimento ou espaço.
Construídos em masseira, com pranchas de madeira macho - fêmea, normalmente designados por caixotão, foram decorados com pinturas sóbrias nos seus elementos decorativos. No salão nobre destaca-se a presença das armas da Casa Real Portuguesa, provavelmente incluído no séc. XIX.

A capela/oratório possui quatro áreas decorativas distintas, compostas pelos tectos da cabeceira, com decoração com motivos religiosos de evocação Mariana, da nave, com decoração fitomórfica com faces humanas, arco divisório e altar, todas respeitando a linguajem decorativa rócócó.

De referir ainda o tecto do corredor da entrada principal com uma profusa decoração floral ao longo do mesmo.

 
Casa Senhorial
El Rei D. Miguel
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Introdução
Localização
O Imóvel
A Estrutura
A História oral
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