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Igreja Matriz Classificado
como Imóvel de Interesse Público decreto nº 41191 de
18/07/1957
Situa-se nos limites urbanos da aldeia de Alcobertas, concelho de Rio Maior. No conjunto
destaca-se a capela lateral de Santa Maria Madalena, monumento megalítico
de carácter funerário, composto de câmara e corredor. Em Portugal existem apenas três dólmen-capela, situados em Pavia, São Brissos e Alcobertas.
No interior
da igreja destacam-se pela sua qualidade e antiguidade, a Pia Baptismal
e a Pia de Água Benta, ambas do século XVI. Data do século XVI e pertencia já à Igreja. É de pé curto e taça hexagonal com as faces lavradas e adornadas por albarradas e fiadas de meias esferas. O pé é decorado por um anel trabalhado e assente numa base facetada, que possui como decoração folhas de meias esferas. A Pia de Água Benta É uma peça também do século XVI e tem o mesmo traço do Baptistério. A base é composta por fiadas de meias esferas. O anel, surge sensivelmente a meio do fustre sendo bastante trabalhado. A taça é também exagonal, tendo quatro faces entrelaçadas e embelezadas com flores. Ambas as peças terão pertencido, desde o início, à igreja aquando da sua ampliação da Ermida no século XVI. A Capela Lateral de Santa Maria Madalena O Dólmen de Alcobertas, junto do qual irá nascer e desenvolver-se a igreja Matriz de Alcobertas, é um monumento megalítico de caracter funerário, composto de câmara e corredor, este último parcialmente demolido, encontrando-se entre os dez maiores da Península Ibérica. O seu caracter religioso tem-se mantido ao longo dos tempos. Após o advento do cristianismo na Península Ibérica, por serem constantes os problemas entre o clero e as comunidades leigas, a Igreja irá optar por várias soluções, que vão da escumunhão de quem irá praticar o culto às pedra antigas, à destruição pura e simples dos monumentos e ainda procedendo à sua cristianização. O Dólmen é formado por dez esteios de grandes dimensões e espessura, sendo oito a formar a câmara e dois como corredor de acesso a Igreja. No fundo da câmara e adossado ao esteio que serve de cabeceira, encontra-se um altar de linhas geométricas, apresentando um painel de azulejos seiscentista de tipo padrão e um outro com a representação do orago, da mesma época. Sobre o altar uma imagem de Santa Maria Madalena. O Corredor câmara são pavimentados a tijoleira vermelha, não se sabendo se sobre estas haverá algum espólio arqueológico ou osteológico. A câmara é encimada por um pequeno registo sobre o qual assenta um telhado, em substituição do chapéu lítico, parcialmente inexistente. Os esteios são unidos com pedras não aparelhadas, de dimensões várias e consolidadas por uma argamassa de areia e cal, vulgarmente chamado de caliça. O interesse peculiar que este monumento assume prende-se com o facto de a pequena Ermida de Santa Maria Madalena ver, no século XVI, o seu estatuto elevado a Matriz demonstrando a íntima ligação entre este sobrevivente de cultos milenares e as comunidades residentes neste recanto praticamente isolado do resto do Mundo. Surgindo a necessidade de aumentar o espaço de culto a medida que a população foi crescendo e ou o movimento de peregrinos aumentou. Lendas Como
todos os locais sagrados que são reaproveitados e transformados pela
religião Católica e apropriados como seus, também este
tem na sua explicação uma lenda ou lendas.
Teria a Santa [que depois seria o orago da pequena capela] transportado as pedras desde a vizinha Serra da Lua e as dispusera naquele local para oração. Uma outra versão refere que a Santa fez nascer as pedras naquele local para que os crentes aí fossem expiar os seus pecados. Temos, patentes nestas lendas, os elementos e transferencia de culto anterior para o culto católico. Encontramo-nos na presença de um templo, que o contexto religioso do concelho de Rio Maior, constituirá a mais antiga manifestação cristã sobrevivente desde a Idade Média, vindo até aos nossos dias como uma vida muito própria e dinâmica. |
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