Rio Maior Cidade Viva

Igreja da Misericórdia

A igreja da Misericórdia tem, ao longo dos anos, sofrido várias alterações que a descaracterizaram um pouco. No entanto, a sua arquitectura simples e a talha dourada no interior, foram preservadas.

Igreja da Misericórdia de Rio Maior

A Igreja perdeu a função de matriz com a construção de uma nova Igreja, mas continua a exercer funções. A Misericórdia é, actualmente, a entidade responsável pela sua conservação e, em colaboração com a Paróquia, procura manter vivo este espaço, através da realização de celebrações religiosas e de espectáculos musicais.

É o exemplar mais significativo da presença do Barroco neste Concelho.
A obra enquadra-se numa época muito própria. D João V, 1698 - 1750, Monarca da dinastia de Bragança, filho de D Pedro II e de D Maria Sofia Isabel de Neubourg, protagonizou a ultima manifestação do absolutismo monárquico em Portugal e atinge o apogeu da arte barroca no país.

O seu reinado foi um dos mais longos da história portuguesa. A neutralidade ante os diversos conflitos europeus; uma paz efectiva, ultrapassada a difícil conjuntura de restauração a que se associou a descoberta do ouro e diamantes brasileiros; a defesa dos interesses da cristandade; a protecção e fomento do património ultramarino; o desenvolvimento económico e cultural do país e o prestígio da realeza e da nação, foram os vectores que notaram a sua acção governativa. Sobretudo entre 1720 e 1740, levou ao aparecimento de fábricas de papel, seda e vidro e à manufactura de panos da Covilhã.

A arte da corte joanina foi uma das mais italianizadas da Europa monárquica do século XVIII. Ao longo do seu reinado aparecem grandes obras: igreja de Campo Maior, Convento do Louriçal, Hospital das Caldas da Rainha, Palácio de Vendas Novas e o Aqueduto de Águas Livres em Lisboa. Muitas terras do país beneficiaram do patrocínio real para a construção ou restauro de igrejas, conventos e solares, trabalhos de pedraria, talha e douramento.

Os moradores de Rio Maior pediram a D. José I, em Janeiro de 1759, a criação de uma irmandade da Misericórdia que tomasse conta do hospital. O rei concedeu-a por alvará de 18 de Abril de 1759 com a obrigação de prestarem contas ao provedor de Santarém. A Misericórdia foi assim fundada em 19 de Abril de 1759 e possuía uma capela privativa, actualmente a Igreja.

Em virtude da ruína da Igreja Matriz, em 1810, passa a Igreja da Misericórdia a ter essas funções, mas em 1875, sendo o espaço exíguo para conter a população da então Vila de Rio Maior, o povo irá requerer a construção de uma nova e mais espaçosa. Por alguma razão, optou-se antes pelo alargamento da Igreja da Misericórdia em detrimento da construção de uma nova Matriz. Possuía por Orago Nossa Senhora da Assunção. Com a construção da actual Matriz, em 1968, dá-se a sua transferência, passando esta Igreja a ter por Orago a Rainha Santa Isabel, padroeira das Misericórdias.

Este Templo vai sofrer remodelações ao longo dos anos. Em 1901, foi a Igreja restaurada, e a sua construção, segundo Júlio de Sousa, em orçamento feito em 31 de Maio 1899, "é solida como todas as daquele tempo, porém modesta e simples até à pobreza". Em seguida fazia Júlio de Sousa a descrição minuciosa das necessidades e dos projectos de restauro orçando todos os trabalhos por ele mencionados em 2.600$00 Reis.

O Jornal "Correio da Estremadura", de Santarém, num seu número de Novembro de 1902 noticiava: já se acha entregue às respectivas corporações uma grande parte dos objectos do culto do extinto Convento de Santa Clara, em harmonia com os despachos ministeriais de 7 do corrente mês." E na parte referente a Rio Maior dizia: " uma casula, duas dalmáticas, capa d'asperges, frontal e pertences de damasco roxo, frontal de seda branca, quatro toalhas de altar, duas alvas, capa de d'asperges de damasco encarnado, frontal de damasco branco e encarnado, sudário, verónica, cortinas da capela do sacramento, tocheiros da igreja, candeeiro das trevas, duas pedras de ara, as imagens do Crucificado, S. João, Baptismo de Cristo e do Anjo, caixa de relíquias , relicário com obra de talha e o Cristo Ressuscitado."

Com a demolição da Igreja S. Salvador de Santarém, que ficara em ruínas devido ao terramoto de 23 de Abril 1909, algumas das suas imagens vieram, também, para a Igreja da Misericórdia.

A Igreja sofreu ainda obras nos finais da década de 60, quando deixou de ser Igreja Matriz e, mais recentemente, na década de 1990.

A construção desta igreja é sólida, modesta e simples. O templo data da 2ª metade do século XVII. Como já foi referido, sofreu grandes alterações ao longo dos tempos, que lhe foram tirando o seu carácter original.

Na fachada apresentam-se cinco janelas de frontão clássico.
O interior tem uma só nave, altar-mor, dois altares colaterais e três laterais, um coro singular que se dobra em dois corpos laterais, poisados em arcarias.

Os dois altares colaterais em pedra com imagens de Nossa Senhora de Fátima e do Sagrado Coração de Jesus.

Num dos dois altares colaterais está colocado um retábulo de pedra, obra vulgar de quinhentos de uma rudez curiosa. No tímpano em relevo uma tabela com a legenda: "Avé Maria"

Apresenta vários elementos característicos do Barroco, sendo mais significativos deste estilo os que seguidamente se enumeram:

A Talha Barroca
O Azulejo

A Escultura.

 
Igreja da
Misericórdia
A Igreja
A Talha Barroca
O Azulejo
A Escultura
As Imagens
S. José
St.ª Isabel Portugal
St.º António
S. Sebastião
S. Ana
S. João Baptista
As Epígrafes
Igrejas
Misericórdia
Nossa Sª da Vitória
Igreja Nova
Estações da Via Sacra
Ruinas do Paço
Casa Senhorial
Introdução
Arqueologia
Vila Romana
Créditos
Agradecimentos
Património
Marinhas de Sal
Index Roteiro
-

BackForward
 

RIO MAIOR CIDADE VIVA é editado por Idimark - Publicidade e Marketing, Lda.
Copyright © 1998-2005 Idimark - Publicidade e Marketing, Lda.

Rio Maior Cidade Viva