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Igreja
da Misericórdia A igreja da Misericórdia tem, ao longo dos anos, sofrido várias alterações que a descaracterizaram um pouco. No entanto, a sua arquitectura simples e a talha dourada no interior, foram preservadas.
A Igreja
perdeu a função de matriz com a construção
de uma nova Igreja, mas continua a exercer funções. A Misericórdia
é, actualmente, a entidade responsável pela sua conservação
e, em colaboração com a Paróquia, procura manter
vivo este espaço, através da realização de
celebrações religiosas e de espectáculos musicais. O seu reinado foi um dos mais longos da história portuguesa. A neutralidade ante os diversos conflitos europeus; uma paz efectiva, ultrapassada a difícil conjuntura de restauração a que se associou a descoberta do ouro e diamantes brasileiros; a defesa dos interesses da cristandade; a protecção e fomento do património ultramarino; o desenvolvimento económico e cultural do país e o prestígio da realeza e da nação, foram os vectores que notaram a sua acção governativa. Sobretudo entre 1720 e 1740, levou ao aparecimento de fábricas de papel, seda e vidro e à manufactura de panos da Covilhã. A arte da corte joanina foi uma das mais italianizadas da Europa monárquica do século XVIII. Ao longo do seu reinado aparecem grandes obras: igreja de Campo Maior, Convento do Louriçal, Hospital das Caldas da Rainha, Palácio de Vendas Novas e o Aqueduto de Águas Livres em Lisboa. Muitas terras do país beneficiaram do patrocínio real para a construção ou restauro de igrejas, conventos e solares, trabalhos de pedraria, talha e douramento. Os moradores de Rio Maior pediram a D. José I, em Janeiro de 1759, a criação de uma irmandade da Misericórdia que tomasse conta do hospital. O rei concedeu-a por alvará de 18 de Abril de 1759 com a obrigação de prestarem contas ao provedor de Santarém. A Misericórdia foi assim fundada em 19 de Abril de 1759 e possuía uma capela privativa, actualmente a Igreja. Em virtude da ruína da Igreja Matriz, em 1810, passa a Igreja da Misericórdia a ter essas funções, mas em 1875, sendo o espaço exíguo para conter a população da então Vila de Rio Maior, o povo irá requerer a construção de uma nova e mais espaçosa. Por alguma razão, optou-se antes pelo alargamento da Igreja da Misericórdia em detrimento da construção de uma nova Matriz. Possuía por Orago Nossa Senhora da Assunção. Com a construção da actual Matriz, em 1968, dá-se a sua transferência, passando esta Igreja a ter por Orago a Rainha Santa Isabel, padroeira das Misericórdias. Este Templo vai sofrer remodelações ao longo dos anos. Em 1901, foi a Igreja restaurada, e a sua construção, segundo Júlio de Sousa, em orçamento feito em 31 de Maio 1899, "é solida como todas as daquele tempo, porém modesta e simples até à pobreza". Em seguida fazia Júlio de Sousa a descrição minuciosa das necessidades e dos projectos de restauro orçando todos os trabalhos por ele mencionados em 2.600$00 Reis. O Jornal "Correio da Estremadura", de Santarém, num seu número de Novembro de 1902 noticiava: já se acha entregue às respectivas corporações uma grande parte dos objectos do culto do extinto Convento de Santa Clara, em harmonia com os despachos ministeriais de 7 do corrente mês." E na parte referente a Rio Maior dizia: " uma casula, duas dalmáticas, capa d'asperges, frontal e pertences de damasco roxo, frontal de seda branca, quatro toalhas de altar, duas alvas, capa de d'asperges de damasco encarnado, frontal de damasco branco e encarnado, sudário, verónica, cortinas da capela do sacramento, tocheiros da igreja, candeeiro das trevas, duas pedras de ara, as imagens do Crucificado, S. João, Baptismo de Cristo e do Anjo, caixa de relíquias , relicário com obra de talha e o Cristo Ressuscitado." Com a demolição da Igreja S. Salvador de Santarém, que ficara em ruínas devido ao terramoto de 23 de Abril 1909, algumas das suas imagens vieram, também, para a Igreja da Misericórdia. A Igreja sofreu ainda obras nos finais da década de 60, quando deixou de ser Igreja Matriz e, mais recentemente, na década de 1990. A construção desta igreja é sólida, modesta e simples. O templo data da 2ª metade do século XVII. Como já foi referido, sofreu grandes alterações ao longo dos tempos, que lhe foram tirando o seu carácter original. Na fachada
apresentam-se cinco janelas de frontão clássico. Os dois altares colaterais em pedra com imagens de Nossa Senhora de Fátima e do Sagrado Coração de Jesus. Num dos dois altares colaterais está colocado um retábulo de pedra, obra vulgar de quinhentos de uma rudez curiosa. No tímpano em relevo uma tabela com a legenda: "Avé Maria" Apresenta vários elementos característicos do Barroco, sendo mais significativos deste estilo os que seguidamente se enumeram: |
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RIO
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