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Um
pouco de história As primeiras provas de vida humana, em Rio Maior, remontam aos períodos pré-históricos, nomeadamente, no Paleolitico Inferior e Superior comprovados pela existência de alguns materiais referentes às industrias da pedra lascada e de uma gruta sepulcral com enterramentos que se prolongam desde o Paleolitico Superior até ao Calcolitico [grutas de Nossa Senhora da Luz - Rio Maior]. A existência de fragmentos de carvão, de cerâmica e alguns artefactos atesta uma ocupação Eneolítica, deste povoado deste período nos lugares de Alto das Bocas e Cabeço do Marco entre outros. Os abrigos naturais oferecidos pela serra e pela florestação e o clima ameno que se faria sentir, seriam os principais atractivos para a ocupação e estabelecimento de povoados. Da presença romana existem também provas materiais. O túnel de tijoleira denominado Buraco da Moura cuja função seria a de canalizar água para uma fundição de metais, é um bom exemplo, assim como os fustes encontrados em campos de cultivo e os fragmentos de mosaico, para não esquecer a estátua de Ninfa, quase intacta, encontrada recentemente na Villa Romana, próxima do cemitério actual. Refira-se, ainda uma sepultura de tijoleira contendo o esqueleto e os vestígios de um forno metalúrgico indicando a exploração de metais como uma das principais actividades dos romanos de Rio Maior. Também o sal constituía uma actividade económica de primeiro plano intensificando-se a sua exploração neste período, embora esta, de certo, já se praticasse anteriormente. Para escoar a sua produção e facilitar os acessos beneficiavam da passagem da via que ligava Lisboa a Braga e da qual ainda é possível encontrar alguns indícios no Alto da Serra. Os Muçulmanos, por seu lado, deixaram como marcas da sua presença algumas técnicas e alfaias agrícolas, alguns topónimos e lendas alem de vestígios arquitectónicos. Exemplos disso S. João da Ribeira, que seria uma povoação moura de relativa importância a demonstrar pela torre mourisca datada de 1111, de acordo com um documento existente na torre do tombo, que ainda hoje podemos observar e que teria feito parte de uma antiga mesquita, a julgar pelo seu formato circular. É também aos mouros que devemos o inicio do fabrico de adobos, actividade favorecida pelas qualidades do solo e que se manterá até ao século XIX. A extracção de sal é outra das suas principais actividades, tendo este povo segundo se pensa, alargado a área das marinhas para as proporções que hoje conhecemos. A importância do sal como produto essencial à conservação de alimentos transforma-o num bem valioso, chegando a funcionar como moeda de troca, ainda durante a Idade Média, e a ser alvo de disputas territoriais. Assim se compreende o interesse demonstrado pelos Templários na compra da quinta parte do poço a Pero D`Aragão, segundo algumas interpretações e a sua mulher Sancha Soares em 1177, acto atestado por documento na Torre do Tombo e que representa a referência escrita mais antiga que se conhece à cerca de Rio Maior. Dividindo-se o território de Rio Maior, no período medieval entre o domínio dos frades e o priorado da Ordem de Avis, tinha como actividades económicas principais, além da exploração de Sal, o cultivo das terras, centeio, trigo, cevada, milho alvo e painço, a viticultura e a extracção mineiras, esta ultima com uma tradição vinda já da pré-história. Ainda assim delineadas, desde cedo, aquelas que serão, até ao presente, as formas de vida e de ocupação da população de Rio Maior, a agricultura, o minério e o sal, como o comprovam os documentos a partir dessa altura. Exemplo disso a concessão de vinhas, herdades e fornos de Rio Maior a Estevão Eanes realizadas durante o século XIII. Neste mesmo século, durante o reinado de D. Afonso III, realiza-se um levantamento de todos os reguengos, sabendo-se então, que Rio Maior é já pertença do rei. Desde então várias são as personagens da realeza que passam por esta localidade. D. Fernando visitava, frequentemente, a região para participar em montarias ou, simplesmente, descansar como sucedeu após a assinatura da paz com Castela. Também D. Pedro, duque de Coimbra e o seu filho D. João I, instala as suas tropas neste local, a quando dos preparativos para a Batalha de Alfarrobeira, reunindo o seu concelho, como relata o cronista Rui de Pina ao afirmar que "no lugar de Rio Maior o infante reuniu o concelho propondo uns que voltassem a Coimbra para evitar a batalha, outros que enviassem um mensageiro ao Rei; e outros como o Conde de Avranches, que seguisse para a corte sem receios inimigos" Ainda D. Pedro, manda enforcar em Rio Maior dois ladrões apanhados pelos seus soldados. Outros acontecimentos relevantes para a história de Portugal tiveram lugar, ou pelo menos repercussão imediata, em Rio Maior. Por exemplo, já no século XIX Junot, general francês que em 1807 invade Portugal sob as ordens de Napoleão, é gravemente ferido na cabeça em terras de Rio Maior, ficando bastante afectado em termos físicos e intelectuais. Com as lutas internas que se seguem, nos anos vinte e trinta de oitocentos, fruto de tentativas de implantação de um regime liberal e constitucional, Rio Maior volta a ser palco de importantes acontecimentos resultantes das disputas entre as facções liberais e miguelistas Alias consta que D. Miguel se albergava frequentemente na Casa Senhorial, junto à igreja da Misericórdia, edifício que por tão ilustre visitante ainda é hoje conhecido como Casa Senhorial D`El Rei D. Miguel, tendo sido alvo recentemente de remodelações para se tornar no museu da cidade. Segundo reza a história terá sido inclusive aqui que esse governante teve conhecimento do resultado da Batalha de Almoster. Qualquer destes exemplos levam nos a concluir, uma vez mais, que se trataria de uma região acolhedora e atractiva para permanência. De facto já em 1527, a quando do Primeiro Numeramento da população do reino, a aldeia de Rio Maior, contava com noventa e oito vizinhos, bem longe de Alcobertas, a povoação mais próxima com maior população, que registava apenas quarenta vizinhos. Nos inícios do século XVIII Rio Maior contava já com duzentos e sessenta vizinhos, enquanto que S. João Bautista da Ribeyra [designação da época] já somava trezentos. Em meados do século, cerca de 1758, há uma inversão das posições encontrando-se Rio Maior com cerca de três mil pessoas com mais de sete anos de idade, enquanto que S. João da Ribeira registava apenas mil e oitocentas e trinta na mesma condição. Apesar de relevar este crescimento, beneficiando ainda nesse século XVIII pela construção da estrada real de D. Maria I, respeitando o traçado da antiga via romana na maior parte do percurso, que facilitava os acessos, o escoamento dos seus produtos e a passagem da mala-posta, com o posto de muda no Alto da Serra, Rio Maior não tinha alcançado o estatuto de vila, fazendo, então parte do concelho de Azambujeira criado a 27 de Maio de 1633 por Filipe de Portugal. Provavelmente a dispersão da sua população, devido à grande fertilidade dos campos, constitui uma das causas justificativas dessa situação. Mesmo assim possuía desde 1619 de um hospital administrado pela Misericórdia de Santarém, um hospício franciscano surgido na era de setecentos, e um mercado espontâneo. O seu crescimento demográfico justifica, também a passagem da feira, habitualmente realizada em Arrouquelas para a aldeia de Rio Maior. Nesta feira realizada durante três dias com inicio a 13 de Setembro, junto da capela de S. Sebastião, pertença da irmandade, transaccionavam-se variados produtos agrícolas, pecuários, metalúrgicos, têxteis, vindos da zona serrana, e, como não poderia deixar de ser o sal. Pertencendo o terreno da feira à irmandade de S. Sebastião, esta faz uma petição a D. José para que lhe seja concedido o arrendamento do terrado, revertendo os montantes apurados para as obras assistênciais da confraria. Em 1760 D. José institui a feira franca e no ano seguinte entram em vigor as cobranças do terrado. Estava estabelecido um importante polo de desenvolvimento económico e de fixação populacional. No entanto, factor decisivo para o crescimento ordenado da população é a elevação de Rio Maior a vila sede de concelho por decreto de D. Maria II a 6 de Novembro de 1836, resultante de um ordenamento administrativo do reino coordenado por Passos Manuel. Tomando posse os seus primeiros autarcas a 13 de Janeiro de 1837, ficam instalados em local desconhecido, passando a ter uma verdadeira Casa do Concelho a 19 de Fevereiro do ano seguinte com a ocupação do antigo hospício, que também já fora uma fábrica de bureis para dar trabalho aos carenciados, por concessão do Governo Civil de Santarém. Constitui-se, inicialmente, o concelho pelas freguesias de Arruda dos Pisões, Azambujeira, Outeiro da Cortiçada, S. João da Ribeira, Rio Maior e Abitureiras, freguesia esta que logo a 4 de Junho de 1837 passou para o concelho de Santarém. Com o crescimento populacional registado ao longo do tempo nas pequenas localidades de cada freguesia, torna-se necessário proceder a subdivisões que dão lugar a novas freguesias. Assim, já no ano de 1855 surgem referências a Alcobertas e Fraguas como freguesias do concelho de Rio Maior, por extinção do concelho de Alcanena, que, passara para a freguesia de Santarém. O Lugar de Marmeleira, por seu lado, surge como freguesia em 1877 desanexando-se de S. João da Ribeira. Está será, aliás, a freguesia que mais alterações sofrerá ao longo do tempo. Tal composição mantém-se estável por mais de oitenta anos, só voltando a registar-se alterações em 1962, com a nova divisão de S. João da Ribeira, dando lugar ao aparecimento da freguesia de Arrouquelas. Posteriormente, será na década de oitenta que se assistirão às restantes alterações. Em 1984 por divisão da freguesia de Fráguas surge S. Sebastião, por divisão de Rio Maior surge Asseiceira e por divisão de S. João da Ribeira surgem Ribeira de S. João e Malaqueijo. Por fim é chegada à divisão administrativa interna do concelho que hoje vigora, surge a freguesia de Assentiz, criada em 1989 por divisão da Freguesia de Vila da Marmeleira. As últimas alterações internas, mais do que justificativas do crescimento populacional revelam preocupações com a organização e de uma melhor defesa dos interesses de cada um e de todos em simultâneo. Manténs-se, no entanto, as características iniciais, dedicação das populações às actividades agrícolas e à metalurgia, com o crescimento de algumas industrias, indicando uma evolução e progressão assente na continuidade. O sal continua, também, a ser explorado, não mantendo no entanto o papel e a importância de outros tempos, mas representa o modo de vida de um pequeno núcleo populacional centrado na Fonte da Bica e Marinhas de Sal. Para melhor defesa dos seus interesses, os salineiros formaram uma cooperativa onde a interajuda ainda tem valor. A extracção de minério encontra-se completamente parada, tendo surgido entretanto outras actividades económicas. Uma das mais representativas continua ainda a ser a suinicultura, e a transformação de carne é também outra das actividades que existem e tem em Rio Maior algumas das principais industrias a nível nacional. Se hoje chegam novos contigentes populacionais ao concelho não o fazem para trabalhar na agricultura, mas para se integrarem nas industrias de metalomecanica, sapatos, construção civil e outras e no sector de serviços. Com as novas acessibilidades que foram sendo criadas como a A15, Lisboa, Caldas da Rainha, Peniche, Santarém ou outros centro tornam mais próximos, tornando este um dos locais privilegiados para a fixação de pessoas. |
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